Isto de estar enamorado por alguém tem muito que se lhe diga. Se querem a verdade, é um trabalho a tempo inteiro, como aquelas empregadas à antiga, dormindo lá, comendo na cantina, tratando da garotada e servindo chá e bolachinhas à senhora.

Mas o problema é que não há sábados, não há domingos, não há nada, quer-se fazer uma outra coisa e temos a jovem a bater o pé e a fazer beicinho. E quando essa pessoa nos pergunta se é dela que gostamos, isso só pode ser para nos fazer rir, porque parece-me óbvio que só lhe poderemos responder justamente isto: “sim, claro que sim.”

Até porque, convenhamos, não nos sobra tempo para mais coisa nenhuma! Por isso nunca compreendi a poligamia quando levada a sério.
Vamos lá ver: um homem pode até viver com várias mulheres, dormir com elas, tomar banhos juntos, fazer conchinha com ambas. Agora, amar duas? Duas ao mesmo tempo, ouçam bem? Não me venham com essa.

O que pode acontecer, é gostar de uma e amar outra, isso pode. Pode acontecer ter uma atracção sexual por uma, mas amar loucamente outra. Pode também acontecer amar uma e pensar que ama a outra (isto acontece muito).

Agora duas mulheres, dois amores, ao mesmo tempo, com a mesma intensidade, com aquela coisa “ai que não durmo, ai que falta o ar!”, garanto que isso não existe.

E o Marco Paulo mentiu na canção, quando diz que tem dois amores. Quando muito tinha duas pessoas. Marco Paulo mentiu quando diz que não tem a certeza de qual gosta mais.

É claro que tinha a certeza o bandidão, é claro que sabe, sim, agora a testosterona do Marquito é que pode estar a condicioná-lo na sua escolha.

Marco Paulo mentiu sim, mas — e isso é que agora importa — o amor nunca o fará.