Não creio que seja o país mais bonito do mundo, mas a sua simplicidade faz-nos parecer que sim. Portugal é um país simples, mas não simplista, é um país para se viver e menos para se ser visto.

Esperem, é um país que gosta de ser visto, mas que dá nas vistas justamente por não ser muito exuberante.
Daí que sejam muitas as pessoas que nos visitam e que queiram viver connosco. Não há melhor elogio para um país do que este, alguém que não nos conhece de lado algum, que vive longe, que tem família, amigos, trabalho com contrato…


As pessoas têm por hábito distinguir o amor como se este tivesse várias categorias, nomeadamente três: o amor de mãe Angola 69, o amor aos filhos e o amor à pessoa com quem, à partida, fazemos amor.

Analisando friamente esta situação, há uma figura que desaparece desde logo: o amor ao pai. Isto é, o homem esforçou-se, andou ali às voltas como roupa numa máquina de lavar e depois nem sequer tem o seu tipo de amor? Nem uma centrifugação? Não me parece justo.

Depois o amor de mãe. O amor de mãe é um caso sério, dizem não ser…


Não há 25 de abril que não me faça pensar em coragem e liberdade. As duas estão ligadas. Penso quase sempre na coragem daqueles homens e no que podia ter acontecido.

O 25 de Abril podia ter corrido muito mal, mas correu muito bem. Portugal tornou-se num país melhor e sobretudo num país livre. Não há nada melhor que um país livre, com pessoas livres, que dizem o que pensam.

Penso sempre em países que não tiveram essa sorte e que ainda vivem a opressão de uma ditadura. …


Ter uma ideia é quase como ter um filho: só tem sentido se a quisermos ter e acompanharmos o seu crescimento. Não há nada pior que ter uma ideia e depois abandoná-la à porta da igreja. Uma ideia é como um bebé, tem que se lhe dar banhinho, pó de talco nas nalgas, sopinha moída e brinquedos para se entreter.

Há pessoas que têm ideias, mas que depois não estão para isso, que não fazem gugu dadá. As melhores ideias são as que se realizam e acabam em casamento na igreja com os pais da noiva e do noivo a…


Esta coisa de gostar de alguém não é para todos e, por vezes — em mais casos do que se possa imaginar — existem pessoas que pura e simplesmente não conseguem gostar de ninguém.

Esperem lá, não é que não queiram — querem! — mas quando gostam — e podem gostar muito — há sempre qualquer coisa que os impede.
Ou porque a estrada está cortada para obras de pavimentação. Ou porque sofremos de diabetes e não podemos abusar dos açucares.
Ou porque sim e não falamos mais nisto.

Há muita gente que não pode comer crustáceos, verdade? E porquê…


Ser rico hoje é ser olhado com desconfiança e não ser amado pelo povo. O povo não gosta de ricos e ao mínimo sinal exterior de riqueza é certinho que dizem que o rico anda metido em droga ou tráfico de armas.

Ser rico já foi uma coisa boa, já, num tempo em que bastava ter posses para que todos tratassem os ricos por senhor doutor. Nessa altura, quando as universidades não abriam ao domingo, para se ter licenciatura bastava ser rico.

De resto, quer queiramos quer não, houve sempre uma implícita pressão por parte das nossas mães para que…


Esta coisa de gostar de alguém não é para todos e, por vezes — em mais casos do que se possa imaginar — existem pessoas que pura e simplesmente não conseguem gostar de ninguém.

Esperem lá, não é que não queiram — querem! — mas quando gostam — e podem gostar muito — há sempre qualquer coisa que os impede.
Ou porque a estrada está cortada para obras de pavimentação. Ou porque sofremos de diabetes e não podemos abusar dos açucares.
Ou porque sim e não falamos mais nisto.

Há muita gente que não pode comer crustáceos, verdade? E porquê…


Tenho andado a pensar imenso nesta coisa da contenção orçamental e chego à desafortunada conclusão de que tenho amigos que saem fora do meu orçamento.

Tenho amigos caríssimos e perceber que cada amigo meu chega a custar por ano mais que todo o orçamento de estado para salvar a banca, faz-me tremer as mãos. E já agora os pés. E isso faz-me igualmente pensar que tenho de fazer cortes. Mas não se pense que será à toa.

Existem vários tipos de amigos e os que dão mais despesa são justamente os que mais me acompanham. Ter um amigo diário e…


Sou um groupie dos medicamentos.

Para mim, sair uma nova versão do guronsan tem o mesmo efeito que o novo modelo do iphone para os seus seguidores.

Gosto do design, do formato, da conjunção de cores e sobretudo dos nomes que lhes atribuem. O medicamento em si pode até nem ser eficaz, mas o nome tem de o ser. Daí que não compreenda quem os baptiza com nomes que o normal senso comum jamais relacionaria com os fins terapêuticos aos quais se destinam.

Compreendo que noutros domínios isso possa acontecer, mas aqui não. Um medicamento é como o Ricardo Salgado…


Isto de estar enamorado por alguém tem muito que se lhe diga. Se querem a verdade, é um trabalho a tempo inteiro, como aquelas empregadas à antiga, dormindo lá, comendo na cantina, tratando da garotada e servindo chá e bolachinhas à senhora.

Mas o problema é que não há sábados, não há domingos, não há nada, quer-se fazer uma outra coisa e temos a jovem a bater o pé e a fazer beicinho. …

Fernando Alvim

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