Sou um groupie dos medicamentos

Sou um groupie dos medicamentos.

Para mim, sair uma nova versão do guronsan tem o mesmo efeito que o novo modelo do iphone para os seus seguidores.

Gosto do design, do formato, da conjunção de cores e sobretudo dos nomes que lhes atribuem. O medicamento em si pode até nem ser eficaz, mas o nome tem de o ser. Daí que não compreenda quem os baptiza com nomes que o normal senso comum jamais relacionaria com os fins terapêuticos aos quais se destinam.

Compreendo que noutros domínios isso possa acontecer, mas aqui não. Um medicamento é como o Ricardo Salgado, o nome não pode deixar dúvidas. E alguns deixam.

Vamos cá ver: o que quer dizer aspirina? Vem de onde? Aspira exactamente o quê? Xanax? Mas qual a relação que um nome destes pode ter com uma sensação depressiva? Buscopan busca o quê? Voltaren fará voltar alguma coisa?

A resposta é simples: não, não e não. E digo-vos mais: não. Um medicamento dos bons, dos que realmente interessam — que é disso que estamos a falar — tem de ser entendido pelos seus potenciais consumidores a quilómetros de distância. E o segredo, não tenham dúvidas, é o seu nome.E qualquer pessoa sabe como se faz.

O segredo é juntar o sufixo “al” ou “ix” com o órgão ou enfermidade que se pretende tratar. Por exemplo, ninguém dúvida que cerebral é para o cérebro. Que antigripine é para a gripe, que o bissolvon é para o bissolve. Bissolve? Cá está o que queria dizer. O bissolvon podia vender como pãezinhos quentes e até para pessoas sem tosse, se as pessoas percebessem para que serve. Mas não percebem.

Daí que faça algumas sugestões: dores na garganta: gargantix; sensação de enjoo: vomitix; ressaca: ressacal e finalmente sintomas de alguma impotência, de falta de desejo sexual: levantal. Um dia voltarei a este assunto. Para já está fechadix.