Ter uma ideia é quase como ter um filho: só tem sentido se a quisermos ter e acompanharmos o seu crescimento. Não há nada pior que ter uma ideia e depois abandoná-la à porta da igreja. Uma ideia é como um bebé, tem que se lhe dar banhinho, pó de talco nas nalgas, sopinha moída e brinquedos para se entreter.

Há pessoas que têm ideias, mas que depois não estão para isso, que não fazem gugu dadá. As melhores ideias são as que se realizam e acabam em casamento na igreja com os pais da noiva e do noivo a chorarem muito. Aos soluços portanto.
As ideias que não acabam no altar não passam de manobras de diversão.

São ainda assim ideias — é certo — mas confundem-se muitas vezes com a corrida dos 5 mil metros, o corredor dos 5 mil metros, a lebre dos 5 mil metros, que vai mais de metade do tempo na frente da corrida — aí vai ele em primeiro — e que a partir daí, se deixa ultrapassar por todos, até abandonar a mesma sem que ninguém o perceba. Uma boa ideia, nunca se abandona.

Não acredito em países que não têm ideias, nem em empresas, nem em pessoas, nem em relações. Quando em casa me pergunto onde estão “as minhas calças?” e me respondem “Não faço ideia!”, sei que esse é o sinal de alerta.

Em Portugal, são cada vez mais comuns as pessoas que não fazem ideia. Pior: que não fazem a mínima ideia. São pessoas vazias, perdidas, sem ideia alguma, sem rasgo, sem raça, sem nada, excepto tentar disfarçar o que já todos sabem: que não fazem ideia, que não têm ideia, que não imaginam há muito onde está o seu par de calças.

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