Não há 25 de abril que não me faça pensar em coragem e liberdade. As duas estão ligadas. Penso quase sempre na coragem daqueles homens e no que podia ter acontecido.

O 25 de Abril podia ter corrido muito mal, mas correu muito bem. Portugal tornou-se num país melhor e sobretudo num país livre. Não há nada melhor que um país livre, com pessoas livres, que dizem o que pensam.

Penso sempre em países que não tiveram essa sorte e que ainda vivem a opressão de uma ditadura. Portugal podia fazer um franchising da sua revolução, falávamos com cada um desses países e com um orçamento generoso fazíamos tudo igual.

Umas canções na rádio — podia ser na Antena 3, o que eu dava para ler o comunicado, um grupo de homens corajosos, uma flor para servir de símbolo (nunca podia ser o cravo) e um final perfeito.

Podíamos ganhar muita grana com esta ideia, mas já me basta termos conseguido fazê-la. Nunca me vou cansar de agradecer a estes homens o que me deram. E nunca me vou esquecer que nasci 8 dias depois desta revolução e por isso já em liberdade, eu e o 25 de abril andamos de mãos dadas desde aí. Há 47 anos.

Obrigado a todas as pessoas que têm coragem e a estas em particular, que a souberam usar desta forma. Viva o 25 de Abril!